Cannabis medicinal - da planta ao paciente
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
FACULDADE DE FARMÁCIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
FACULDADE DE FARMÁCIA
VISITE AS NOSSAS REDES
VISITE AS REDES SOCIAIS DA ABRARIO PARA SABER COMO SE ASSOCIAR.
Segundo o artigo "A história da maconha no Brasil", escrito pelo pesquisador Elisaldo Carlini e publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, em 2006, a história dessa planta no Brasil tem seu início com a própria descoberta do país. A maconha é uma planta exótica, ou seja, não é natural do Brasil, e foi trazida para cá pelos escravos negros, daí a sua denominação de fumo-de-Angola. O seu uso disseminou-se rapidamente entre os negros escravos e nossos indígenas, que passaram a cultivá-la. Séculos mais tarde, ela passou a ser considerada em nosso meio um excelente medicamento indicado a muitos males. A demonização da maconha no Brasil iniciou-se na década de 1920 e, na II Conferência Internacional do Ópio, em Genebra, 1924, o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países que: "a maconha é mais perigosa que o ópio." (J.Bras.Psiquiatr., 55(4):314-317,2006)
O 1º uso medicinal da Cannabis sativa L. foi descrito pelo imperador Chen Nung, na 1ª Farmacopeia Chinesa, há 5000 anos, para tratar fadiga, reumatismo e malária. O uso da planta como medicamento também foi relatado em tábuas de argila assírias e papiros egípcios datados de cerca de 3000 anos atrás. Em 400 a.C. , o historiador Heródoto mencionou seu uso medicinal, e em 60 a.C., o historiador Diodorus Siculus, relatou que as mulheres egípcias usavam para reduzir a dor e melhorar o humor. Pedacius Dioscórides (nascido por volta de 40 d.C e morreu por volta de 90 d.C), foi um médico grego que classificou diferentes plantas, incluindo a C. sativa, e descreveu suas benefícios úteis. Galeno, nascido em 129 d.C., médico romano, também escreveu várias notas sobre o uso da planta. Várias formas de C.sativa eram conhecidas na Europa medieval. Durante esse período a planta era usada, principalmente, para fins têxteis. No entanto, alguns efeitos inebriantes da C. sativa em magias e medicina tradicional também já eram conhecidos. Nos séculos seguintes, cidadãos europeus aprenderam diversos usos da Cannabis através de diários de viagens escritos por aventureiros, capitães do mar, viajantes ricos, sacerdotes e comerciantes que se deslocavam para a África e Índias Orientais. No século XIX, muitos artistas e escritores começaram a usar o haxixe em clubes privados. Em 1830, um médico francês estudou os efeitos da C.sativa em doenças mentais. Ainda no século XIX, a medicina inglesa introduziu a planta como analgésico, anti-inflamatório, antiemético e anticonvulsivante. Apesar das restrições impostas ao uso da planta no início do século XX, várias pesquisas sobre a química e farmacologia dos compostos, e diversos debates socioculturais, continuaram e contribuíram para todas as informações científicas que temos atualmente. (Bonini et al., Journal of Ethnopharmacology, 227 (2018): 300-315)
NÚMERO DE VISITANTES